maioria das drogas anabolizantes utilizadas por atletas e mesmo por praticantes menos ambiciosos de atividades esportivas em geral, não são compradas em farmácias.
Em nosso país são poucos os medicamentos anabolizantes disponíveis comercialmente, e geralmente são formas de testosterona (hormônio sexual masculino) não modificada, mais destinadas à reposição hormonal nos casos de hipogonadismo (diminuição da produção normal de hormônios sexuais).
As drogas anabolizantes mais procuradas nos meios esportivos para aumentar o volume dos músculos são as obtidas por modificações na molécula da testosterona, com o objetivo de preservar os efeitos anabolizantes (aumento da massa muscular) e reduzir os efeitos androgênicos (aumento dos pelos, voz grossa e outros). Embora muitas dessas drogas possam ser obtidas legalmente em farmácias de manipulação, mediante receita médica, a maioria costuma ser conseguida ilegalmente do ponto de vista comercial, ou seja, contrabandeadas.
Não existe ilegalidade na receita e no uso de drogas anabolizantes em geral, visto que essas drogas somente são proibidas pela legislação do anti-doping esportivo e portanto de uso ilegal apenas para atletas de competição. No entanto, as drogas mais prestigiadas por atletas não são as que estão disponíveis comercialmente. Essa situação é estimulada pelos traficantes, pessoas que obtém maiores lucros quando trabalham com produtos difíceis de serem encontrados e que freqüentemente são falsificados.
As drogas falsificadas não produzem os efeitos pretendidos e, o que é muito pior, são produzidas sem controle de higiene. Para aumentar o número de usuários, as pessoas que comercializam ilegalmente as drogas anabolizantes freqüentemente argumentam com seus clientes que sabendo usar, não faz mal.
Na maioria das vezes os traficantes já vendem instruções de uso com os seus produtos, prometendo aumentar a eficiência e diminuir os efeitos colaterais. Invariavelmente essas orientações são especulativas, elaboradas a partir do estudo das bulas dos medicamentos, ou copiadas de algumas publicações under-ground internacionais.
Freqüentemente são orientados os ciclos com o uso de várias drogas simultaneamente, algumas com doses crescentes e outras decrescentes, mas sempre doses altas; alguns produtos são utilizados no início e outros no fim do ciclo; algumas drogas são orientadas para evitar problemas das drogas principais, entre outras condutas não apoiadas em evidências e sem o mínimo de bom-senso. Muitos usuários desconfiam dessas condutas mirabolantes e então entra em cena a figura do médico.
DR. JOSÉ MARIA SANTARÉM
- Doutor em medicina, fisiatra e reumatologista.
- Coordenador do CECAFI - Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física, da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP.
- Coordenador do Curso de Especialização em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP.
- Coordenador do Ambulatório de Atividade Física da Disciplina de Geriatria da FMUSP.
- Coordenador dos projetos de pesquisa do CECAFI.
- Diretor do Centro de Estudos HC-FMUSP de Medicina Esportiva.
- Responsável pelos Cursos para Formação de Técnicos em Treinamento com Pesos da Federação Paulista e Confederação Brasileira de Musculação.
- Professor de Cursos de Musculação e Medicina do Exercício em universidades, congressos e convenções, no Brasil e no exterior.
- Diretor e autor dos projetos dos aparelhos para exercícios resistidos da empresa Biodelta Atividade Física Ltda.
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