|
Sofrer com
a menopausa não é um problema apenas das mulheres. Os homens
também padecem com os incômodos provocados pela queda de
hormônios. É a andropausa, caracterizada pela baixa nos níveis
de testosterona, o principal hormônio masculino produzido
pelos testículos.
Mas hoje, como acontece com a
menopausa, já é feita a reposição hormonal para aliviar os
sintomas. E aos mais apavorados, um alento: ao contrário do
que ocorre com as mulheres, a andropausa não provoca o fim da
fertilidade e sim uma redução dela, devido à menor produção de
espermatozóides.
Queda variável
Com a
idade, a testosterona cai em torno de 1% ao ano. Mas, segundo
a endocrinologista Luciana Bahia, a queda dos níveis de
testosterona não ocorre de maneira uniforme entre os
indivíduos. Segundo ela, existem homens que conseguem manter
uma boa secreção de testosterona até os 80 anos, enquanto
outros já demonstram uma queda por volta dos 50.
”Existe uma tendência de queda de produção testicular
com o envelhecimento, mas isso não é uma regra fixa”, diz.
Fatores como a raça, a cor, a presença de doenças, o uso de
medicamentos, o fumo e o álcool tendem a influenciar.
Sintomas ainda não identificados
Se os
sintomas da menopausa são fáceis de identificar, nos homens
nem tanto. Na Finlândia um grupo de cientistas começa a
pesquisar o assunto. Até agora, de acordo com o coordenador da
pesquisa, Ilpo Hutaniemi, chefe do departamento de fisiologia
de Turku, foram relacionadas algumas reações, como disfunção
erétil e/ou redução da libido.
A endocrinologista
Luciana acrescenta ainda outros sintomas, como: diminuição da
força e atrofia muscular, aumento de gordura corporal,
principalmente na região abdominal, diminuição da libido,
alterações no humor e desânimo.
Reposição
hormonal
Luciana diz que a reposição de
testosterona e derivados já esta sendo feita com bons
resultados, mas com algumas ressalvas. “Ainda não se chegou a
um consenso sobre a dose a ser prescrita, o tipo de preparado,
o tempo de uso e se os efeitos benéficos influenciam a
ocorrência de doenças e qualidade de vida”, afirma.
O
tipo de terapia de reposição hormonal mais comum é aquela por
via transdérmica, por meio de gel, cremes ou adesivos
cutâneos. Alguns médicos recomendam ainda o uso de suplementos
vitamínicos, sais minerais e oligoelementos, com a finalidade
de melhorar a atividade mental, antioxidantes e em especial
determinados aminoácidos, que ajudarão a liberar
neurotransmissores cerebrais.
A reposição só é
contra-indicada para os homens que apresentem hiperplasia
benigna da próstata, câncer da próstata e pacientes com
antecedentes familiares da doença.
Controvérsia
As terapias de reposição hormonal, no entanto, ainda
não conseguiram uma unanimidade entre os especialistas da área
sexual. Este tipo de terapia ainda provoca controvérsia: há
quem considere que resolve todo e qualquer problema e há
aqueles que não acreditam na sua eficácia.
Em relação
às terapias de reposição masculina, parece a mesma coisa.
“Envelhecer é difícil. Perde-se massa muscular e força, mas
isso não significa que se tenha que sofrer de depressão. A
depressão está mais ligada a outros fatores, como a
dificuldade de aceitação do envelhecimento, dificuldade do
idoso na sociedade, por exemplo”, diz a psicóloga e terapeuta
sexual Vera Lúcia Vaccari.
Segundo ela, se for
comprovado que a testosterona realmente melhora a qualidade de
vida das pessoas como um todo, realmente a terapia de
reposição pode ser útil. “Mas acho que qualidade de vida não
vem em vidros ou remédios. Vem em construção social, mudança
de mentalidade, etc”, afirma Vera.
Mito ou
verdade
No trabalho que está sendo desenvolvido na
Finlândia, os pesquisadores buscam descobrir se há alguma
evidência biológica de que a menopausa masculina existe ou se
é uma condição psicológica. Algo similar à crise da meia-idade
ou a algum sinal fisiológico do envelhecimento. Para isso,
estão sendo estudados 30 mil homens, entre 40 e 70 anos.
Para realizar a pesquisa, os homens recebem uma série
de injeções de testosterona, o hormônio sexual masculina. Seus
sintomas são acompanhados, tais como a transpiração e a perda
de controle sexual. Os resultados são comparados com homens
que não receberam injeções. O tratamento é semelhante à
terapia de reposição de estrogênio, o hormônio sexual
feminino, nas mulheres. Os efeitos colaterais da injeção de
testosterona podem incluir doenças cardiovasculares e
problemas na próstata. Os homens com um histórico de doenças
nesses órgãos são excluídos da pesquisa. |