A mobilização dos diferentes
substratos energéticos durante o exercício
é um processo coordenado pelo sistema neuroendócrino,
bem como por modificações do próprio
metabolismo muscular.
As corridas de 50 e 100 metros, exigem que quantidades
enormes de energia sejam produzidas num curto período de
tempo e para isto, as fibras musculares Tipo II devem ser recrutadas.
O desempenho máximo é limitado pela distribuição
dos tipos de fibra e pela quantidade de fibras musculares recrutadas,
a qual é influenciada pelo tipo de motivação.
Sendo assim, as fontes primárias de energia são
anaeróbicas incluindo o sistema ATP-CP (creatina fosfato)
e a via glicolítica.
Durante os primeiros 6 segundos de exercício
de intensidade máxima, a energia torna-se disponível
a partir do desdobramento do ATP e CP armazenados. A energia é
quase imediatamente liberada nestas reações, sem
necessidade de oxigênio. A sobrecarga máxima destes
processos fosforados pode ser atingida pelo emprego de músculos
específicos em picos máximos de esforço de
5 a 10 segundos. Pelo fato de os fosfatos de alto potencial energético
fornecerem a energia para este tipo de exercício tão
intenso e intermitente, apenas uma pequena quantidade de ácido
lático será produzida e a recuperação
total será imediata.
Considerando, então, o uso dos substratos
energéticos durante exercícios intensos e exaustivos
como a corrida de explosão é improvável que
a disponibilidade de glicogênio muscular caia a níveis
muito baixos. Por isso, supondo-se que a ingestão energética
seja adequada e composta principalmente de carboidratos, é
improvável que a disponibilidade de carboidratos musculares
comprometa a realização de um exercício de
explosão.
Vias metabólicas recrutadas:
Prova de 50m: sistema ATP-CP
Prova 100m: ½ ATP-CP e ½ glicólise
DIETA PRÉ - EVENTO:
A dieta pré-competição deve
ser considerada um importante componente do plano total de treinamento.
Os objetivos dessas refeições são: prevenir
a hipoglicemia e os sintomas a ela associados; fornecer energia
para um trabalho muscular durante o treinamento e a competição;
fornecer líquidos para iniciar o exercício num estado
completamente hidratado. Uma refeição pré-competição
deve considerar a duração, a intensidade, o ambiente,
os substratos recrutados, a disponibilidade de alimentos e peculiaridades
alimentares individuais. Um período de 3 horas deve ser
suficiente para permitir uma boa absorção da refeição
pré-evento.
Tipo de nutriente:
A refeição deve ser composta principalmente
por carboidratos e líquidos, pois este tipo de exercício
utiliza principalmente carboidrato como combustível (glicogênio
muscular). Proteínas e gorduras devem ser limitadas, pois
levam mais tempo para serem digeridas. Refeições
líquidas são alternativas aceitáveis para
aqueles que apresentam histórico de desconforto gástrico
ou ansiedade pré-competição, bem como quando
não há tempo para fazer refeições
sólidas.
Além disso, um tempo maior é levado
para a digestão quando exercícios intensos físicos
são feitos. Isso acontece, porque os músculos necessitam
de mais sangue durante os exercícios intensos do que quando
se está em repouso. Durante um exercício pesado
o estômago recebe apenas em torno de 20% do seu fluxo normal
de sangue. Como conseqüência seu processo digestivo
é lento.
| Nutriente |
Tempo de digestão |
| Gordura |
4 a 5 horas |
| Proteína |
3 a 4 horas |
| Carboidratos |
2 a 3 horas (exceto os ricos em
fibras que levam mais tempo) |
Desconforto:
Como vemos, os carboidratos ficam menos tempo
no estômago, pois são rapidamente digeridos e absorvidos.
Entretanto, nem todos os alimentos ricos em carboidratos são
boas opções para as refeições pré-exercício.
Os alimentos ricos em fibras, como as frutas e as hortaliças
cruas, que possuem sementes e pele grossas, as castanhas, as sementes
e os farelos, não são recomendados porque podem
causar desconforto intestinal.
Alguns alimentos ricos em carboidratos, como
o feijão, a cebola, a couve-flor, o nabo e outros, são
formadores de gases. Por isso, eles também podem causar
algum desconforto. Os melhores alimentos em carboidratos são
aqueles ricos em amido, como massas, pães, tubérculos,
arroz, bolos e biscoitos simples.
Índice glicêmico:
Deve-se evitar alimentos com alto índice
glicêmico até 30 minutos que precedem o evento, pois
estes entram rapidamente na corrente sangüínea ,provocando
rápido aumento da glicose sangüínea. Como conseqüência
pode m provocar hipoglicemia e sensação de fraqueza.
Alimentos com alto valor glicêmico: batata,
"corn flakes" , banana, arroz, pão branco, mel,
refrigerante, e outros. Alimentos com moderado e baixo índice
glicêmico são os mais indicados na refeição
pré-competição. pois entram lentamente na
corrente sangüínea: iogurte, amendoim, feijão,
maçã, leite e derivados.
DIETA PÓS - EVENTO:
Nas duas horas após o exercício,
os músculos estão mais receptivos à reposição
do glicogênio (carboidrato armazenado nos músculos).
Com isso, a deficiência no consumo de carboidratos pode
desenvolver um sério déficit de glicogênio
armazenado. O principal objetivo da refeição pós-competição
é de reidratar e repor o estoque de glicogênio nos
músculos.
Imediatamente após o exercício:
Deve-se iniciar a reposição dos
líquidos corporais perdidos. É recomendada a ingestão
de bebidas que forneçam carboidratos, vitaminas e eletrólitos
como: sucos de frutas e sport drinks ou alimentos ricos em carboidratos
como: pães, massas e batata assada
Aproximadamente 2 horas após o exercício:
Deve-se consumir uma refeição rica
em carboidratos, incluindo também proteínas e gorduras,
assim como açúcares simples. As proteínas
podem melhorar a reposição de glicogênio nas
horas iniciais, após um exercício pesado. As proteínas,
assim como os carboidratos, estimulam a insulina, que é
o hormônio responsável pelo transporte da glicose
do sangue para dentro dos músculos.
Suplementação:
O fato de a depleção da creatina
fosfato, poder limitar o exercício de curta duração
e alta intensidade, como a corrida de explosão, levou a
sugestão de que a ingestão de grandes quantidades
de creatina pode melhorar o desempenho do atleta, na prática
do exercício. Estudos recentes revelaram que a ingestão
de grandes quantidades de creatina (15-20 gramas/dia) durante
5 dias e depois uma manutenção de 2 gramas por dia,
resulta num aumento dos estoques de creatina fosfato nos músculos.
Essa suplementação de creatina demonstrou melhorar
o desempenho durante o exercício de curta duração
e de alta intensidade. Além disso, credita-se que a ingestão
de creatina junto ao Carboidrato aumenta o conteúdo de
craetina no músculo em 10% mais do que quando a creatina
é ingerida sozinha.
A creatina é um composto que ocorre naturalmente,
e o seu armazenamento total no corpo humano é de aproximadamente
120g, sendo que 95% dela se encontram nos músculos. Nos
indivíduos sadios, a creatina muscular degrada irreversivelmente
em creatinina, numa taxa de 2g por dia, mas é continuamente
reposta pela síntese endógena de creatina e/ou por
sua ingestão dietética; como por exemplo, através
da ingestão da carne. No entanto, para a ingestão
de 20g de creatina via alimentação tradicional,
seria necessária a ingestão de, por exemplo, aproximadamente,
4 Kg de carne por dia, o que seria inviável. No momento,
a suplementação de creatina não viola as
regulamentações de dopagem mantidas pelas principais
organizações atléticas.